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Spodoptera: identifique e controle esse complexo de lagartas no milho

Spodoptera: como identificar as espécies e as melhores formas de controlar essas lagartas no milho.

No Brasil há uma estimativa de perdas anuais em torno de US$400 milhões de dólares apenas na cultura do milho devido ao ataque da Spodoptera frugiperda.

Mas essa não é a única Spodoptera presente no Brasil, já que existem aproximadamente 30 espécies pertencentes ao mesmo gênero. Há relatos, por exemplo, de Spodoptera cosmioides Spodoptera eridanea atacando o milho nas lavouras brasileiras.

Por isso, apresentamos aqui como identificar essas espécies e qual o melhor manejo para essas lagartas não interferirem na sua produção. Confira!

A principal praga do complexo: a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda

Essa praga ocorre em todas as fases de desenvolvimento da cultura do milho, podendo também ser encontrada em algodão, soja, feijão, sorgo dentre outras culturas. 

No continente americano há relatos do ataque desta praga em mais de 80 culturas com perdas podendo chegar a 60% da produtividade, dependendo da fase de desenvolvimento da planta, cultivar utilizado, local de plantio e manejo utilizado.

O ciclo completo do inseto dura em torno de 35 dias. Em condições favoráveis de temperatura e umidade pode chegar a 12 ciclos completos por ano, fazendo com que os cuidados com esta praga sejam constantes. 
A lagarta possui alto potencial reprodutivo, deixando um elevado número de descendentes.

A postura pode conter de 150 a 350 ovos de Spodoptera frugiperda, sendo observado um máximo de até 13 posturas por fêmea.

Postura da lagarta-do-cartucho

Outro fator que explica os grandes prejuízos pela S. frugiperda é sua alta capacidade de dispersão, já que o adulto pode disseminar a longas distâncias.

Danos da Spodoptera frugiperda no milho

Na fase inicial da cultura esta praga pode ter o hábito da lagarta-rosca, cortando as plântulas e causando perda de estande. Isso diminui significativamente a população inicial da lavoura. 

Danos causados em lavoura de milho por S. frugiperda com hábito de lagarta rosca

Em estágios mais avançados do milho, a lagarta-do-cartucho ataca diretamente as folhas, causando os primeiros sintomas de folhas raspadas. Dependendo da intensidade do ataque, se observa danos severos ao cartucho, podendo causar morte das plantas.

A – Sintomas de folhas raspadas; B – Ataque severo de S. frugiperda no cartucho do milho

Identificação da Spodoptera frugiperda

Quando menores, larvas de 1º instar, possuem de cores claras e vão escurecendo de pardas escuras até se aproximarem do preto conforme a idade.Sua identificação é feita especialmente por três características:

• 3 listras claras ao longo do corpo

• 4 pontuações pretas ao final do abdômen 

• “Y invertido” na cabeça

                   

S. frugiperda com destaque para o “Y invertido” na cápsula encefálica

Spodoptera cosmioides (lagarta-preta)

Spodoptera cosmioides é uma praga polífaga, ou seja, se alimenta e causa danos em diversas culturas, como no algodoeiro, milho, soja, feijão, mamona, sorgo.

Até mesmo em plantas daninhas é possível observar essa lagarta. Foram relatados casos de desfolhação completa de Amaranthus spp. (caruru) devido ao ataque de S. cosmioides.

A lagarta danifica diretamente as partes reprodutivas das plantas, como as vagens da soja e os botões florais do algodão. Quando atacam as folhas o consumo é aproximadamente o dobro do que geralmente é consumido por outras pragas desfolhadoras.

S. cosmioides tem o ciclo médio de vida em torno de 50 dias. As posturas são escuras e apresentam no máximo 2 camadas sobrepostas. As lagartas possuem listas alaranjadas com pontuações brancas ao longo do corpo e pontos negros na extremidade, conforme você pode ver na figura abaixo:

 Detalhe das listas alaranjadas com pontuações brancas ao longo do corpo de S. cosmioides

Spodoptera eridanea (lagarta-das-folhas)

Conhecida como lagarta-das-folhas e/ou lagarta-das-vagens, a Spodoptera eridania antes era considerada uma praga secundária em diversos cultivos, incluindo culturas anuais e perenes. 

Entretanto, nos últimos anos, a espécie tem sido relatada como praga importante nas culturas do algodão, soja, milho, tomate e frutíferas de clima temperado. 

As pontes verdes pela utilização do milheto como planta de cobertura após o cultivo de algodão e soja, além da presença de plantas daninhas como Amaranthus spp. (caruru) e Ipomea spp. (corda-de-viola), favorecem a ocorrência deste inseto.

S. eridanea tem seu ciclo médio de vida em torno de 40 dias, suas posturas são verdes claras, geralmente depositada em única camada.

As lagartas possuem faixas amareladas em cada um dos lados. No primeiro segmento do abdômen essas faixas são interrompidas por manchas negras (conhecidas como “colar”, já que se assemelha a um). No entanto, nem sempre o “colar” é aparente. Possuem também uma série de triângulos negros como é possível ver abaixo:

A – Série de triângulos ao longo do corpo; B – Postura de S. eridanea; C – “Colar” característico de S. eridanea

Spodoptera albula

Outra lagarta do complexo que vem ganhando atenção, e por isso deve ser identificada corretamente, é a Spodoptera albula. Ela é encontrada normalmente na soja, mas também pode causar prejuízos no milho. As duas listras amarelas e as manchas pretas em forma de triângulo são suas principais características:

Spodoptera albula
Fonte: Bug Guide

Manejo do complexo Spodoptera frugiperda no milho

O monitoramento do ciclo da praga e da cultura, além do conhecimento do nível de dano econômico (NDE) são de fundamental importância para uma de tomada de decisão mais assertiva.

Para plantas de milho com até 30 dias pós germinação o controle deve ser feito quando houver 20% de plantas atacadas.

Para plantas entre 40 e 60 dias a porcentagem é de 10% de ataque para se tomar alguma medida de controle. O mesmo nível pode ser adotado para a cultura do sorgo.

A dessecação antecipada da área é o primeiro passo para um efetivo controle de pragas. A morte das plantas daninhas causa a quebra das chamadas “pontes verdes” não disponibilizando alimento para as pragas e quebrando assim seu ciclo biológico.

A escolha de sementes transgênicas, auxilia no controle de pragas, porém outros métodos devem ser utilizados em conjunto a tecnologia. 

O controle biológico via aplicação de biopesticidas (formulações a base de Baculovirus, Bacillus thuringiensisNomureae rileyiiBotrytis rileyiBeauveria globulifera) assim como a utilização de predadores e parasitoides (Doru luteipes (tesourinha), Trichograma spp, Podisus nigrispinusChelonus spp., dentre outros) podem ser uma alternativa.

Controle químico para Spodoptera frugiperda em milho

No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento há o registro de aproximadamente 213 produtos (piretróides, benzoilureia, semicarbazone, organofosforados, metilcarbamato, neonicotinóide, espinosinas dentre outros) para o controle de S. frugiperda em milho, quer seja para tratamento de sementes ou para aplicação, sendo que alguns também tem registro para utilização em sorgo.

No site do IRAC (aqui) você pode ver os inseticidas registrados para o controle de Spodoptera frugiperda, além do manejo da resistência à inseticidas e manejo integrado de pragas (MIP) para essa praga.

Como já comentamos, o monitoramento é uma ação essencial para se adequar a necessidade e o “time” de utilização de métodos de controle curativo, quer seja ele biológico ou químico, principalmente para espécies não-alvo de tecnologias Bt como por exemplo a S. cosmioides e S. eridanea.

Veja também como fazer o manejo de outras pragas em nosso blog:

Conclusão

Aqui separamos as principais lagartas do complexo Spodoptera que afetas as culturas brasileiras de milho.

Com essas informações, você pode identificá-las e fazer um controle ainda melhor na sua propriedade!

Bibliografia

*Colaboração de André Henrique Campelo Mourão, engenheiro agrônomo e mestre em biotecnologia vegetal.

CRUZ, I. A lagarta-do-cartucho na cultura do milho. Sete Lagoas: EMBRAPAICNPMS, 1995. 45p. (EMBRAPAICNPMS. Circular Técnica, 2 1). 

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SILVIE PR, THOMAZONI D, SORIA MF, SARAN PE, BÉLOT JL. 2013. Pragas e seus danos em algodoeiro. Boletim de identificação.

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FONSECA FL. 2006. Ocorrência, monitoramento, caracterização de danos e parasitismo de noctuidae e geometridae em pomares comerciais de macieira em Vacaria, Rio Grande do Sul, Brasil. Curso de Pós-graduação em Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

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