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Grãos ardidos em milho: manejo efetivo e sem prejuízos

Grãos ardidos em milho: quais são os fungos que causam, as condições que favorecem seu aparecimento e como fazer identificação e controle efetivo. 

As podridões de espiga no milho são doenças muito agressivas que reduzem a qualidade e produtividade do milho, além de produzirem compostos tóxicos, chamados micotoxinas.  

Grãos ardidos em milho ainda geram descontos no pagamento aos produtores, podendo até não ser permitida a comercialização da carga se for uma incidência alta.  

Por isso, realizar um manejo efetivo é essencial para obtenção de uma boa rentabilidade de milho, especialmente na safrinha. 

Aqui reunimos as principais dicas para isso: desde as condições que favorecem as doenças, como identificá-las em campo e as formas de controle. Confira! 

Incidência de grãos ardidos em milho no Brasil 

Os principais fungos causadores das podridões de espiga são Fusarium, Stenocarpella (também conhecida como Diplodia), e de menor relevância no campo também temos Aspergillus e Penicillium. 

Esses fungos são difundidos em todo território nacional, porém em cada região há a prevalência de determinada doença, dependendo principalmente do clima e características de manejo.  

Em climas mais quentes e úmidos, como no Mato Grosso, a podridão de Diplodia é favorecida. Já em temperaturas mais amenas, como no Sul, a doença que prevalece é a podridão de Fusarium ou Giberela.  

Por fim, as doenças como Aspergillus e Penicillium ocorrem principalmente na massa de grãos armazenados. 

Podridão de espiga por Diplodia 

Dentre as podridões de espiga, uma das mais importantes para a região tropical é a podridão de Diplodia.  

Essa doença é causada pelo fungo Stenocarpella, o qual sobrevive na palhada do milho e pode infectar desde as plântulas até o colmo e a espiga do milho.  

No Brasil ocorrem duas espécies desse fungo:  Stenocarpella macrospora Stenocarpella maydis, sendo que a espécie S. macrospora  além de infectar colmo e espiga também é capaz de causar lesões nas folhas do milho.  

Sintomas da podridão de espiga por Diplodia 

Na espiga, a infecção começa a partir da base, iniciando na parte interna com o micélio branco envolta dos grãos e na parte externa é possível notar descoloração das brácteas (palha do milho).  

Com a evolução da doença pode ocorrer a podridão de toda a base da espiga e, em condições favoráveis, pode causar até a sua mumificação total (morte da espiga).  

Os grãos oriundos dessa planta são conhecidos como grãos ardidos porque têm sua característica de cor alterada, além de ficarem mais leves. Também são comuns picnídios negros (bolsa de esporos) que podem se formar sobre a palha, as brácteas, o sabugo e os grãos. 

Condições que favorecem a podridão de espiga por Diplodia 

O fungo pode sobreviver em restos de cultura e, por isso, o sistema de plantio direto aliado à monocultura favorecem a sobrevivência do patógeno devido ao maior tempo para decomposição dos restos culturais da superfície do solo.   

A palhada infectada pode ainda ser um agente dispersor da doença para as folhas baixeiras do milho, pois através dos respingos de água da chuva os esporos de Diplodia são lançados para a superfície das folhas, ocorrendo a infecção. 

Essa doença também é favorecida por danos de insetos na espiga, como os causados por lagartas e percevejos, facilitando a entrada do patógeno nos grãos.  

As chances do aparecimento da doença na lavoura também aumentam com estresses devido à seca excessiva ou longo período de tempo nublado, especialmente no momento do florescimento, e excesso de chuva no final do ciclo. 

Manejo de grãos ardidos por podridão de espiga de Diplodia 

Essa é uma doença de difícil manejo, visto que o fungo fica alojado no interior da espiga, dificultando o acesso da pulverização de fungicidas.  

Contudo, a adoção de fungicidas vem sendo estudada para essa doença, principalmente com maior volume de calda e aplicação próxima ao florescimento com misturas de triazol, estrobilurina e benzimidazóis. 

As principais medidas de controle são:  

  • Rotação de culturas, diminuindo o acúmulo de palhada de milho potencialmente infectada; 
  • Manejo racional de fertilidade, preconizando plantas bem nutridas segundo a análise do solo;  
  • População adequada, visto que cada híbrido pode possuir população diferente em função da região e/ou época de plantio;  
  • Controle de pragas, para evitar o dano nas espigas;  
  • Resistência varietal, já que há híbridos, como BM815 e BM780 com maior resistência a essa doença, contudo, é importante lembrar que para essa doença não foi observado resistência total; 
  • Em casos mais graves, uma alternativa é fazer o manejo cultural com a técnica de aração para que os restos contaminados sejam enterrados e não fiquem expostos na superfície.  

Fusarium e Giberela 

O gênero Fusarium compreende mais de 50 espécies. Os mais comuns em milho são F. verticillioidesF. proliferatumF. subglutinans e Gibberella zeae, sendo esta última a fase sexuada de F. graminearum. No Brasil a espécie mais associada ao milho é a F. verticillioides

Esses patógenos estão entre os mais comuns na cultura do milho, sendo capazes de causar doenças em sementes, morte de plântulas, podridão de colmo, podridão de raiz, danos em grãos armazenados. 

Além desses danos, a principal injúria é pela podridão de espigas com consequente produção de grãos ardidos, que são todos aqueles que possuem pelo menos um quarto de sua superfície com alteração da cor. 

Sintomas de Fusarium e Giberela 

Os sintomas se iniciam com o desenvolvimento de uma massa cotonosa branca a rosada, podendo recobrir os grãos infectados e a área da palha atingida.  

Em alguns grãos, pode haver o aparecimento de estrias brancas partindo da parte superior para a base do grão. 

Quando a infecção ocorre a partir da base da espiga, a mesma pode ficar infectada por completo, ressaltando que pode haver infecção conjunta de Fusarium e Diplodia.  

 Como Fusarium é adaptado às condições de alta umidade (além de temperatura entre 21 e 30°C), o desenvolvimento da doença na espiga é diminuido quando o teor de umidade dos grãos fica abaixo de 18%


Estrias brancas partindo da parte superior para a base do grão 
Fonte: Jeferson Pestana 
Massa cotonosa branca a rosada em grãos infectados 
 Fonte: Jeferson Pestana 

A podridão de espiga por Giberela é mais comum em regiões de clima ameno de 15 a 20°C e de alta umidade relativa.  

Geralmente, a ocorrência de chuvas após a polinização favorece a ocorrência dessa doença, visto que a infecção pode se iniciar através do cabelo do milho.  

O sintoma mais comum da podridão por Giberela é uma massa cotonosa avermelhada que se inicia na ponta da espiga e pode progredir para sua base. 

Massa cotonosa avermelhada na ponta da espiga 
Fonte: Jeferson Pestana 

Condições que favorecem Fusarium e Giberela 

Os fungos do gênero Fusarium podem sobreviver e se multiplicar na matéria orgânica, no solo e restos culturais. Logo o solo e a palhada infestados com o patógeno são as principais fontes de contaminação para as plantas de milho.  

Além disso a infecção dos grãos é favorecida por danos mecânicos ou causados por insetos e rachaduras no grão. Por isso, muitas vezes vemos grãos isolados com infecção de Fusarium pelos danos de algum inseto. 

Embora capazes de causar danos em várias partes da planta, muita das vezes o principal prejuízo das podridões de Fusarium e Giberela não é com a produtividade, mas sim com a qualidade dos grãos.  

Esses patógenos são capazes de produzir micotoxinas, que são compostos altamente tóxicos aos animais e humanos. Para o gênero Fusarium, as micotoxinas normalmente são conhecidas como fumonisinas. 

Este é um dos fatores pelo qual as agroindústrias têm adotado uma tolerância máxima de 6% de grãos ardidos em lotes comercias de milho.  

Também vem sendo observado que a colheita realizada tardiamente pode aumentar a incidência de grãos ardidos e os níveis de fumonisinas em grãos. 

Outra característica da infecção de Fusarium em milho é que comumente pode ocorrer de forma assintomática nas lavouras, ou seja, o patógeno está presente, mas não exibe sintomas. Esses resultados ajudam a explicar, os altos níveis de fumonisinas detectados nos grãos mesmo a baixa incidência de podridão do grão. 

De maneira geral, o manejo para podridão por Fusarium e Giberela é o mesmo que para podridão de Diplodia. 

Conclusão 

 A incidência de grãos ardidos é um dos principais problemas na produção de grãos no Brasil, especialmente na safrinha. 

Para seu manejo realmente efetivo é necessário compreender as condições favoráveis em que as doenças podem atacar ainda mais a cultura, além das formas de controle após a verificação do problema em campo. Aqui você pôde conferir todas essas informações para um melhor manejo!  

Bibliografia  

 *Colaboração de Jeferson Rodrigo Pestana, engenheiro agrônomo, mestre em fitopatologia especialista em Proteção de Plantas 

EMBRAPA. Árvore do conhecimento: doenças do milho. Disponível em: https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/

 EMBRAPA. Doenças Causadas por Fungos do Gênero Stenocarpella spp. (Diplodia spp.) em Milho. Circular técnica 197, , 2013. 15p. 

 LANZA, L. E. Prevalência de Fusarium Verticillioides em manejo de grãos ardidos e fumonisinas em milho (Tese de Doutorado – UFV), 2013. 77p. 

Você tem problemas com grãos ardidos na sua área? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo! 

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