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Adubo para milho: entenda como obter maior eficiência

Adubo para milho: quais as recomendações e dicas sobre os principais nutrientes para maximizar a produtividade e rentabilidade da sua produção para grãos ou silagem. 

A cultura do milho destaca-se no cenário nacional por ser cultivado em todas as regiões do Brasil com várias finalidades, das quais podemos destacar: grãos, silagem de planta inteira, milho verde e silagem de espigas. 

Para obter sucesso na atividade dependemos de vários fatores, dentre os quais a adubação é um dos mais cruciais para o sucesso da cultura do milho.  

Aplicar os fertilizantes certos, na dose certa e no momento certo é a exigência básica para uma colheita bem sucedida. 

Por isso compilamos aqui as recomendações e dicas sobre adubo para milho. Confira! 

Como fazer a adubação do milho? 

Já discutimos no artigo de interpretação de análise de solo para milho que a coleta e interpretação dos resultados da análise de solo é o primeiro passo para recomendação de fertilizantes, calcário e gesso agrícola. É com ela que sabemos o que falta em nosso solo para fornecer à planta. 

Além disso, antes de falarmos em quantidades de adubos NPK e micronutrientes, devemos reforçar a importância da correção do solo, especialmente a calagem. 
 
O calcário corrige o pH e neutraliza o alumínio tóxico dos solos, fatores determinantes para melhorar o desenvolvimento radicular, além de fornecer cálcio e magnésio para planta de milho.  

A reação do calcário no solo faz com que o solo aumente a retenção de nutrientes além de favorecer a atividade biológica do solo. 

Dessa maneira, após a amostragem e interpretação da análise de solo, seguido da correção do solo, chegamos à etapa de adubação de milho.  

Primeiramente, devemos ter em mente os 3 pontos de partida para considerar o adubo para milho: 

  •  A fertilidade do seu solo (pela interpretação do solo, conforme já discutimos); 
  •  O potencial do seu híbrido de milho
  •  A expectativa, realística, da produtividade de milho 

Veremos mais detalhes da utilização de adubo para milho ao longo deste texto. 

Recomendações de adubo para milho: NPK 

A cultura do milho exige grande quantidade de nutrientes para se desenvolver e produzir bem, mas o nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) são os macronutrientes de maior atenção durante a condução da lavoura.  

Veja a seguir as recomendações e dicas para cada um desses nutrientes. 

Nitrogênio (N)   

Normalmente aplicado no plantio e em cobertura, é exigido em grandes quantidades sendo o elemento mais extraído e exportado da lavoura.  

Para as áreas de silagem e grãos plantados no verão, as quantidades a serem aplicadas, dependem da expectativa de produção, como já comentamos aqui.  

As adubações de nitrogênio para expectativas de produção de 60 t/ha de massa verde de silagem e acima de 180 sacos/ha de grãos são superiores a 180 kg de nitrogênio por hectare

Para produção de grãos na safrinha, as recomendações são superiores de 100 kg de nitrogênio por hectare. O restante do nitrogênio é proveniente dos restos culturais da soja que beneficia da fixação biológica de nitrogênio (FBN). 

Potássio (K2O) 

Segundo elemento mais exigido na cultura do milho, tem como práticas de adubação a potassagem pré-plantio, adubação de plantio e/ou cobertura.   

Assim como ocorre com o nitrogênio, em solos argilosos sua aplicação em cobertura pode ser realizada uma única vez. Para solos arenosos, obrigatoriamente, devemos parcelar em duas vezes. Essa recomendação visa a menor perda de elementos por lixiviação em solos arenosos. 

A recomendação de potássio sempre é ajustada com a análise de solo. No verão, para plantios de milho silagem, devemos ter muita atenção, uma vez que a exportação de potássio pode ser superior a 220 kg/ha de K2O para produtividades superiores a 60 toneladas de massa verde.  

Por isso, produtores de silagem devem estar atentos a fertilidade do solo quanto ao potássio, mantendo sempre altos seus níveis. Recomenda-se que sua aplicação deve ser baseada em 12,5 kg de K2O por tonelada de MS (Matéria Seca).   

Já a adubação de potássio para milho safrinha pode ser feita na soja, no sistema soja-milho ou aplicado em cobertura em doses superiores a 60 kg de K2O por hectare.   

Fósforo (P2O5)    

A extração de fosforo nos cultivos de milho silagem está em torno de 35 a 40 kg de P2O5 para produtividades de 60 toneladas de matéria verde.  

Portanto, em solos com alto teor de argila e baixos níveis de fosforo, devemos utilizar 110 a 120 kg de P2O5 por hectare.  

Para solos de alta a média fertilidade aplicar de 60 a 80 kg P2O5 por hectare. Essa recomendação pode ser a mesma utilizada para milho verão com finalidade de grãos. 

Para produção de milho safrinha, em solos bem corridos, recomenda-se uma aplicação de pelo menos 60 kg de P2O5 por hectare

Outros macronutrientes como adubo para milho

Enxofre (SO4) 

O enxofre muitas vezes é negligenciado nos sistemas de produção. A utilização de fertilizantes cada vez mais concentrados e perca de matéria orgânica devido a práticas inadequadas de cultivo vem fazendo que sua disponibilidade caia nos solos ano após ano.   

No entanto, é um nutriente bastante significativo para a cultura do milho, sendo que sua extração pode chegar a 20 a 40 kg de enxofre na forma de sulfato (SO4) por hectare para milho utilizado com silagem.  

Para solos deficientes desse elemento, podemos usar formulação de fertilizantes que contenham enxofre e/ou a aplicação de gesso agrícola quando necessário.  

Cálcio (Ca) e magnésio (Mg)  

O Cálcio e o Magnésio apresentam extrações semelhantes pelas plantas de milho. O cálcio extrai de 35 a 30 kg por tonelada de matéria verde, enquanto é extraído de 30 a 25 kg de magnésio por tonelada de matéria verde. Esses valores são próximos quando pensamos em altas produtividades de grãos.  

Para esses dois elementos, a deficiência é verificada em solos muito ácidos onde a prática da calagem ainda é deixada de lado. 

Assim, ao se fazer a aplicação do tipo correto de calcário para seu solo, temos a fertilização desses dois elementos sem que o agricultor necessite suplementação via fertilizantes.  

Sintomas de deficiência nutricional no milho 

Abaixo você pode ver a figura que preparamos sobre a diagnose visual de algumas deficiências nutricionais do milho, inclusive em comparação à sintomas de seca, doenças e produtos químicos. 

Fonte: Adaptado de Berger, K.C

Micronutrientes para milho: zinco, boro, manganês e cobre 

Os micronutrientes são assim chamados porque as quantidades extraídas pelas plantas são menores quando comparados aos macronutrientes. 

Talvez por isso os micronutrientes, muitas das vezes, sejam esquecidos. Porém, eles são essenciais para os processos fisiológicos das plantas, como, por exemplo, na defesa contra fungos e bactérias, polinização e crescimento celular.  

Devemos estar atentos as análises de solo e a matéria orgânica (MOS). Solos com teores baixos desses micronutrientes e com baixa matéria orgânica tem alta probabilidade de apresentar deficiência de micronutrientes.  

zinco é o micronutriente mais extraído pela planta de milho, seguido do manganês, boro e cobre. A reposição desse elemento pode ocorrer via fertilizantes ou via foliar.  

Para altas produtividades de silagem e grãos, zinco e manganês a exportação desses dois elementos podem ultrapassar 500g. Por isso, dependendo da sua análise de solo, é interessante a compra com formulados que contenham zinco e manganês em sua formulação.  

Boro e cobre têm suas quantidades extraídas em menor quantidade, com valores de 200 g e 30 g respectivamente para altas produtividade por hectare. Em algumas situações podem ser supridos via fertilização foliar e ou via formulados com micro total. 

Veja também: Irrigação de milho: foco em altas produtividades

Conclusão 

O adubo para milho deve ser utilizado com base nas necessidades de nutrientes do solo e nas condições de campo, especialmente fertilidade de solo e expectativa de produção. 

Vimos aqui as recomendações para os principais nutrientes para a cultura do milho, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre e os micronutrientes. 

De posse dessas informações temos certeza que ao aplicá-las em campo você terá um resultado diferenciado e positivo. 

*Colaboração de Bruno Lima Soares, engenheiro agrônomo (UFV), mestre, doutor e pós-doutor pela Universidade Federal de Lavras.

Você já tinha considerado todas essas informações na hora de utilizar adubo para milho? Tem alguma dúvida ou sugestão? Comente aqui embaixo! 

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