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Herbicidas para milho: época de aplicação e principais produtos

Herbicidas para milho: veja quais as melhores épocas para aplicação desses produtos e entenda mais sobre quais são aqueles recomendados para a cultura. 

A interferência de plantas daninhas na cultura do milho pode gerar perdas que variam entre 10 – 80%, de acordo com as espécies presentes, densidade, período de competição, estádio de desenvolvimento com o milho e condições de solo e clima (Gantoli et al., 2013). 

Isso porque, em termos gerais, a planta de milho não confere boa cobertura do solo, principalmente nos estádios iniciais do seu desenvolvimento.  

E é exatamente nessa época que as plantas daninhas alcançam até 20% do seu crescimento total, e o milho não atinge 5%.  

Além da competição pelos recursos como água, luz e nutrientes, essas plantas podem interferir de maneira negativa a cultura do milho através da liberação de compostos alelopáticos, serem hospedeiras alternativas de pragas, doenças e nematoides e atrapalharem os tratos culturais e reduzirem a qualidade do produto final.  

Por isso, a comunidade infestante deve ser controlada o mais cedo possível, devido à agressividade que compromete a produtividade do milho (Silva et al., 2017).  

Confira neste artigo as principais opções de manejo químico além de mais informações sobre os herbicidas para milho. 

Aplicação de herbicidas para milho na dessecação pré-plantio 

Esta aplicação consiste na eliminação de plantas daninhas antes da semeadura da cultura, utilizando-se herbicidas de contato e/ou sistêmicos (Tabela 1).  

O período entre a aplicação do herbicida e a semeadura da cultura varia em função de características do herbicida, da dose utilizada, da cobertura vegetal antecessora, da textura do solo e das condições ambientais. Nessa modalidade de aplicação, pode-se, em determinadas situações, utilizar herbicidas dessecantes em mistura com residuais.  

É importante lembrar que as plantas daninhas interferem no desenvolvimento das plantas de milho com intensidade variável em função da época de ocorrência, da população e das espécies presentes.  

A ocorrência de elevada população de plantas daninhas no início do desenvolvimento da cultura pode proporcionar perdas acentuadas na produtividade. Essa situação é frequentemente observada quando a dessecação não é bem-sucedida. 

Nesses casos, quando a cultura emerge, as plantas daninhas estão em estádios mais avançados de desenvolvimento, e, irão prejudicar a cultura do milho. Assim, a população e densidade dessas plantas irão determinar a época em que o controle deve ser iniciado. 

Essa prática pode ser vantajosa uma vez que, numa única operação, faz-se a dessecação da área que vai receber o plantio de milho e a aplicação do herbicida residual ou pré-emergente, que terá o papel de manter a cultura no limpo durante parte do seu ciclo. 

O glifosato é o produto mais utilizado no manejo pré-semeadura do milho, lembrando que quando há presença de folhas largas, principalmente resistentes ao glifosato, indica-se a adição do herbicida 2,4-D, respeitando, no mínimo, 5 a 15 dias de antecedência da semeadura do milho.  

Além disso, nesse tipo de manejo, há opções herbicidas associados que apresentam residuais e as escolhas irão depender das espécies presentes na área, estádio, época de plantio do milho, disponibilidade do produto e condições ambientais. Exemplos com mistura de glifosato e os herbicidas inibidores da PROTOX (flumioxazina, carfentrazona-etílica e safllufenacil) e glifosato + glufosinato de amônio.  

Aplicação de herbicidas para milho em pré-emergência 

Nesta modalidade de aplicação, os herbicidas são aplicados antes da emergência das plantas daninhas. Seu efeito é observado durante a germinação das sementes e/ou crescimento inicial das plântulas.  

Herbicidas do grupo químico das triazinas (ametrina, atrazina, simazina e mais recente a terbutilazina) são utilizados na cultura do milho, sobretudo para o controle de plantas daninhas eudicotiledôneas.  

São herbicidas que influenciam na fotossíntese, em que a atividade do fotossistema II é inibida. Em plantas sensíveis a esses herbicidas, ocorre a germinação das sementes, porém, quando as plântulas emergem do solo e recebem luz, as ações descritas anteriormente são desencadeadas ocasionando a morte da plântula. Ressalta-se aplicações em solo seco pode ocorrer redução na eficiência desses produtos.  

Com a finalidade de ampliação do espectro de controle, plantas daninhas de folha larga e estreita, os herbicidas do grupo das triazinas têm sido misturados com herbicidas como s-metalocloro e alacloro dentre outros (Tabela 2).  

Esses produtos proporcionam controle eficiente da maioria das espécies infestantes e apresentam seletividade para o milho. São absorvidos durante o processo germinativo das sementes das plantas daninhas, interferem em diversos processos bioquímicos da plântula e inibem a divisão celular; controlam grande número de espécies mono e eudicotiledôneas.  

São herbicidas que apresentam amplo perfil de compatibilidade com herbicidas à base das triazinas, cuja combinação dos dois ingredientes ativos oferece um tratamento em pré-emergência bastante eficiente para o controle de uma ampla gama de plantas daninhas. 

Visando a eficácia de herbicidas em plantas daninhas de difícil controle há também as associações comerciais das moléculas piroxasulfona + flumioxazina e isoxaflutole + tiencarbazona. São produtos que apresentam uma ótima alternativa para manejo de resistência de plantas daninhas à herbicidas, principalmente ao glifosato, e servindo como mais opções dentro do manejo químico da cultura do milho. 

O herbicida flumioxazina inibe a enzima protoporfirinogênio oxidase (PPO ou PROTOX) e, após uma cascata de reações, ocorre a formação de espécies reativas de oxigênio, as quais posteriormente degradam membranas e lipídios das células vegetais. Desta forma, proporciona excelente controle de diversas espécies daninhas, eudicotiledôneas e algumas monocotiledôneas prejudiciais ao milho. Já o piroxasulfona inibe o crescimento de plantas suscetíveis por meio da inibição da biossíntese de ácidos graxos de cadeia longa em plantas daninhas monocotiledôneas e algumas eudicotiledôneas.  

A mistura de isoxaflutole + tiencarbazona visa ampliar o controle de plantas daninhas de folhas largas e estreitas. O isoxaflutole atua inibindo a síntese de carotenos resultando na fotooxidação dos pigmentos clorofilados e na morte dos cloroplastos, causando, por consequência, a morte das plantas sensíveis e tiencarbazona inibe a enzima acetolactato aintase (ALS/AHAS). Essa enzima é chave na biossíntese de aminoácidos de cadeia longa leucina; isoleucina e valina. 

Aplicação de herbicidas para milho em pós-emergência  

Esta aplicação é realizada quando as plantas daninhas e a cultura se encontram emergidas. A relação dos principais herbicidas indicados para uso em pós-emergência pode ser encontrada na Tabela 3.  

Alguns herbicidas recomendados para aplicação em pré-emergência, como as triazinas, também podem ser aplicados em pós. Além disso, o herbicida bentazona, com mesmo mecanismo de ação da atrazina e terbutilazina, apresenta efeito em muitas eudicotiledôneas. Na prática, é comum visando ampliar o espectro de controle (folhas largas e estreitas), a associação de atrazina e mais recentemente a terbutilazina, com outro herbicida, por exemplo, glifosato, mesotriona, tembotriona e nicosulfuron. 

Herbicidas do grupo químico das sulfoniluréias (nicosulfuron e foransulfuron + iodosulfuron) são importantes ferramentas dentro do manejo químico de plantas daninhas na cultura do milho. Esses herbicidas inibem a acetolactato sintase (ALS), impedindo a síntese de aminoácidos essenciais, como valina, leucina e isoleucina.  

Embora o nicosulfuron apresente ótima eficácia de controle tanto em folhas largas e estreitas, há relatos em algumas situações de sintomas de fitointoxicação. O sintoma típico é caracterizado pela descoloração da porção mediana da lâmina das folhas centrais da planta, que se encontram em fase de expansão no momento da aplicação, sendo esse sintoma mais expressivo até sete dias após a aplicação do produto.  

Sintomas de intoxicação pelo nicosulfuron em folhas (A) e espiga (B) de milho 
Fonte: Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas- MG, 2008.   

A seletividade da cultura do milho ao nicosulfuron deve-se à capacidade do milho em metabolizar o produto em compostos não ativos. Cultivares tolerantes parecem metabolizar herbicidas sulfoniluréias mais rapidamente.  

A partir da existência de tolerância diferencial de híbridos de milho ao nicosulfuron, a sua utilização deve ser restrita a determinados cultivares que sejam tolerantes ao produto.

Já os herbicidas mesotriona e tembotriona inibem a biossíntese de carotenoides através da inibição da enzima HPPD (4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase) e são produtos indicados para o controle de plantas daninhas mono e eudicotiledôneas. Contudo, possui melhor potencial de controle sobre eudicotiledôneas em mistura com as triazinas como já citado anteriormente. 

O foramsulfurom + iodosulfurom-metílico é classificado como herbicida seletivo, com ação sistêmica e aplicação em pós-emergência, para o controle de folhas largas e gramíneas, apresentando como mais uma ferramenta dentro do manejo químico de plantas daninhas na cultura do milho. 

Vale destacar que, há diversos produtos, misturas e peculiaridades nas aplicações em pós-emergência. E as escolhas devem seguir as recomendações do fabricante juntamente com o agrônomo responsável.    

Os herbicidas aplicados em pós-emergência deverão ser adequadamente absorvidos pelas plantas daninhas para que o controle seja eficiente. A eficiência dos herbicidas aplicados em pós-emergência está condicionada, sobretudo, às condições climáticas no momento da aplicação e ao estádio de desenvolvimento das plantas daninhas. 

A interação planta-herbicida poderá ser afetada pelo produto, formulação, dose, técnicas de aplicação, além de fatores ambientais e condições biológicas das plantas. Dentre os fatores ambientais destacam-se a umidade relativa do ar, temperatura, intensidade luminosa, ventos, chuvas e orvalho.  

 

Fonte: Autor, 2022.

Conclusão  

Nesse artigo, buscou-se demonstrar algumas estratégias de controle de plantas daninhas com a utilização de herbicidas. Assim, não há uma “receita” pronta e devemos considerar os diversos cenários com suas características buscando maximizar a eficácia de controle com menor risco para a cultura do milho. 

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo e que o produtor deve estar também sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação.  

Para garantir o sucesso da lavoura de milho, é preciso realizar o manejo das plantas daninhas. Neste texto, abordamos as particularidades do controle de plantas daninhas do milho e a importância da semeadura do milho no limpo, além das principais plantas daninhas que afetam a cultura, tipos de controle e detalhes de manejo com o uso de herbicidas.  

Bibliografia 

*Colaboração: Roque de Carvalho Dias, Coordenador de Serviços Técnicos (CST) da Biomatrix. Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Mestre em Agronomia (Proteção de Plantas) na área de Matologia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP/FCA). 

GANTOLI, G.; AYALA, V.R.; GERHARS, R. Determination of the critical period for weed control in corn. Weed Technology, v. 27, p. 63-71, 2013. 

MAPA. Disponível em <http://http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons> acesso em 24 de Janeiro de 2021. 

MOREIRA, H.J. da C.; BRAGANÇA, H.B.N. Manual de identificação de plantas infestantes: cultivos de verão. Campinas: FMC, 2010. 642p. 

PIAZENTINE, A.E. Períodos de interferência do capim-amargoso na cultura da soja e do milho. 2021. 58f. Dissertação Mestrado em Agronomia (Produção Vegetal) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, 2021. 

RIZZARDI, M.A. JUNIOR, A.A.B.; BIANCHI, M.A.; KARAM, D. Manejo de plantas daninhas na cultura do milho. In: MONQUERO, P.A. (Ed.). Manejo de plantas daninhas nas culturas agrícolas. São Carlos: RiMa Editora, 2014. p. 41-52. 

SILVA, A.A.; D’ANTONINO, L.; SILVA, A.F.; VARGAS, L. Manejo de plantas daninhas. In: BORÉM, A.; GALVÃO, J.C.C.; PIMENTEL, M.A. Milho: do plantio à colheita. 2. Ed. Atual. E ampl- Viçosa (MG): Ed. UFV, 2017. p. 247-277. 

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