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Glifosato: quando aplicar e outras dúvidas respondidas

Glifosato: quando posso aplicar na lavoura, principais características, manejo da resistência e muito mais! 

O uso do glifosato já se tornou rotina da lavoura, porém ainda há muitas dúvidas que cercam a utilização desse herbicida. 

Perguntas como quando aplicar, se pode aplicar o produto em determinada lavoura ou não, a influência da adubação nitrogenada e outros, são questionamentos recorrentes do campo. 

É por isso que reunimos neste artigo essas e outras respostas. Confira! 

O que o glifosato faz na planta? 

O glifosato é um herbicida sistêmico – se move dentro da planta – análogo ao aminoácido natural glicina e é absorvido através das folhas, principalmente.  

Ao movimentar dentro da planta e chegar ao seu destino, que são os pontos de crescimento, ele inibe uma enzima chamada 5-enolpiruvoil-shikimato-3-fosfato sintetase (EPSPS), que sintetiza três aminoácidos: fenilalanina, triptofano e tirosina, fundamentais no processo de crescimento da planta. 

 Vale ressaltar aqui um ponto de atenção! Por ser um herbicida sistêmico, o glifosato é eficaz somente em plantas com crescimento ativo, não sendo eficiente na utilização como um herbicida pré-emergente. 

Como o glifosato foi descoberto?

O glifosato foi desenvolvido originalmente para a indústria farmacêutica por Henry Martin na década de 50, porém não houve aplicabilidade nesta indústria e foi vendido como descarte para outras empresas.  

Na década de 70, John E. Franz, que trabalhava na Monsanto, testou diversas moléculas e notou que a molécula do glifosato tinha atividade herbicida. Em 1974 o herbicida Roundup já estava no mercado. 

Desde então, o produto sofreu diversas variações até que em 2000 a patente da Monsanto expirou e diversas empresas investiram neste composto químico até chegar nas centenas de produtos comerciais que temos hoje. 

Como saber se posso aplicar glifosato no meu milho? 

Glifosato é um herbicida com largo espectro de ação e não é seletivo, ou seja, ele prejudica e pode matar todas as plantas. Por isso, temos que tomar muito cuidado com sua aplicação. 

Foi pensando nisso que, na época, a empresa Monsanto lançou uma biotecnologia chamada “Roundup Ready” (também chamada de RR), a qual oferece resistência ao glifosato para as plantas.  

Ou seja, desde que a semente da cultura seja RR, é possível aplicar o glifosato sem prejuízos para a lavoura e matando as plantas daninhas. 

Primeiramente esta tecnologia foi utilizada na soja e depois migrou para o milho e algumas outras culturas. 

Assim, se o seu milho possui a tecnologia Roundup Ready, disponível nos híbridos da Sementes Biomatrix, você pode utilizar o herbicida, mas sempre de acordo com a bula do fabricante do produto. 

Quando aplicar glifosato? 

O glifosato é usado comumente como um herbicida pós-emergente no milho, principalmente em plantios de safrinha. Fatores como formulação, qualidade da água e volume de calda podem interferir nessa aplicação. 

A hora da aplicação também pode influenciar nesse processo. Horários próximos ao amanhecer e anoitecer e umidade relativa em torno de 60% são mais indicados.  

Todavia, em algumas espécies esses horários podem reduzir a eficácia da molécula uma vez que essas plantas têm o comportamento de movimentarem suas folhas e disporem de uma orientação vertical nesses horários, reduzindo o contato do herbicida com a folha. 

Quanto tempo leva para o glifosato fazer efeito? 

Em grande parte das plantas daninhas a ação do glifosato começa imediatamente e a morte da planta ocorre lentamente, entre 7 e 14 dias após a aplicação. 

Pode aplicar glifosato quando faz adubação de N? 

O ideal é realizar a aplicação de glifosato antes de realizar a adubação nitrogenada. Desse modo, há o maior aproveitamento da fonte nitrogenada pela cultura e, consequentemente, maior rendimento final. 

Classe toxicológica do glifosato 

A depender da formulação, o glifosato apresenta diferentes classes toxicológicas, isso devido ao fato de serem usados diferentes adjuvantes na formulação de cada produto comercial. 

Classificação toxicológica dos diferentes herbicidas a base de glifosato.  
Fonte: Rodrigues e Almeida (2018) 

Agências internacionais fizeram diversos testes com a molécula de glifosato e concluíram que esses herbicidas apresentam segurança para a saúde humana partindo do princípio de que os alimentos ingeridos contenham uma quantidade muito baixa de resíduos. 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) relatou no ano de 2019 que este produto “não apresenta características mutagênicas e carcinogênicas”, avaliação que vigora até o presente momento. 

Quando se trata de impactos ambientais temos vários espectros de avaliação. A maior parte do volume do herbicida aplicado é retido pelo dossel das plantas e absorvido por elas.  

A parte restante chega ao solo e se adere ali rapidamente sendo disponível a reações químicas e é degradada por microrganismos, sugerem estudos. O período dessa degradação pode variar. 

Problemas com o uso de glifosato 

Devido a alta adoção e contínuo uso do glifosato alguns problemas no controle de plantas daninhas foram surgindo. Entre o final dos anos 1970 e 2016, o volume de aplicação da molécula aumentou mais de 100 vezes levando a alta pressão de seleção e o estabelecimento de plantas daninhas resistentes (MYERS et al., 2016). 

De acordo com o Comitê de ação a Resistência aos Herbicidas [HRAC], plantas daninhas como azevém (Lolium perene ssp. multiflorum), buva (Conyza bonariensisC. canadenses e C. sumatrensis), capim-amargoso (Digitaria insularis), capim-branco (Chloris elata), caruru-gigante (Amaranthus palmeri), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), entre outros, possuem resistência ao glifosato.  

Vale lembrar que isso ocorre em uma escala regional, mas é sempre bom fazer o manejo correto para evitar esses potenciais problemas. 

Exemplos de plantas daninhas resistentes ao glifosato (EPSPs) 
Fonte: Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas [HRAC] 

Manejo de resistência de plantas daninhas 

Para contornar essas dificuldades, um bom manejo de toda lavoura é fundamental. Nesse caso específico, ferramentas do MIPD (Manejo Integrado de Plantas Daninhas), formado pela seleção e integração de métodos de controle, podem contornar resistência de algumas espécies a glifosato. 

Os principais métodos e mais eficazes na maioria das vezes são os métodos preventivos de controle que envolvem cuidado na aquisição de sementes para não trazer a planta daninha resistente para lavoura e limpeza adequada de máquinas e implementos. 

Além disso, um bom manejo envolvendo rotação de culturas e cobertura de solo ajudam muito por não permitirem a germinação ou o desenvolvimento da planta daninha na lavoura. 

Apesar de ser uma operação mais lenta, métodos mecânicos visando o controle dessas plantas resistentes são mais eficazes, como as capinas e roçadas. 

Quando necessária, a aplicação de herbicidas é indicada, mas levando em consideração o modo de ação da molécula, buscando sempre empregar moléculas com modo de ação diferentes, também chamado de rotação de modo de ação. 

Veja todos os métodos do manejo da resistência nas figuras a seguir: 

Manejo da resistência de plantas daninhas 
Fonte: Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas [HRAC] 

Conclusões 

Neste artigo você viu a história e a importância do glifosato nos cultivos agrícolas, principalmente no cultivo de duas safras realizado no Brasil. 

O modo de ação dessa molécula e algumas dicas para otimizar seu uso também foram discutidos aqui. Todavia, alguns pontos de atenção foram citados como a continua utilização e possíveis problemas com resistência. 

Assim, você agora já está munido de muita informação e poderá fazer um excelente manejo das plantas daninhas de sua lavoura incrementando ainda mais sua produtividade! 

Referências 

*Colaboração de Hígor de Souza Rodrigues, Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal do Espírito Santo, Mestre em entomologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Doutor em entomologia pela mesma instituição.

MYERS, J. P.et al.. Concerns over use of glyphosate-based herbicides and risks associated with exposures: a consensus statement. Environmental Health. 15 (19): 13. 2017. 

HEAP, I.  The International Herbicide-Resistant Weed Database.  2021. Disponível em:  www.weedscience.org. Acesso em: 22 de out. 2021. 

Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas [HRAC]. Posters. 2021. Disponível em:  https://www.hrac-br.org/posters. Acesso em: 22 de out. 2021. 

WEED OUT. Disponível em: <https://weedout.com.br/glifosato-o-herbicida-que-mudou-a-historia/>. Acesso em: 30 ago. 2021. 

ROUNDUP. Disponível em: <http://www.roundup.com.br/a-historia>. Acesso em: 30 ago. 2021. 

RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de Herbicidas. Editora UFV, 7 ed., 764p., 2018. 

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