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Silagem: como fornecer um alimento de alta qualidade para sua produção animal

Silagem: entenda o que é, seus principais tipos, características e saiba como produzir em quantidade e qualidade para alavancar sua produção animal 

Manter os animais a pasto durante todo o ano, nem sempre é a melhor estratégia de garantia de alimento para o produtor.  

A silagem de milho é considerada um dos componentes mais importantes na alimentação de ruminantes no Brasil e, tradicionalmente, tem sido utilizado na pecuária leiteira, com crescente utilização nos sistemas de confinamento da pecuária de corte.  

A utilização de silagens de milho tem sido uma eficiente alter­nativa à produção animal, principalmente, durante períodos de baixa disponibilidade de forragens  

Confira neste artigo mais sobre silagem, quais os tipos existentes e como fazer esse alimento. 

O que é silagem? 

Por definição, refere-se ao alimento (forragem/grãos úmidos) que foi conservado por meio do processo de fermentação anaeróbica a qual foi submetida durante um período.  

Já a ensilagem diz respeito a todo processo que envolve a produção de silagem, que vai desde o corte, picagem, enchimento do silo, compactação até o momento de vedação do silo.  

Quais são os tipos de silagens que existem? 

O milho permite uma ampla modalidade de conservação, que vai depender de quais frações da planta serão utilizadas associado a umidade destas frações no momento da colheita.  

Pela figura abaixo temos os principais tipos de silagens que predominam no Brasil, desde maior concentração de grãos com menores teores de umidade (<22%) a maior concentração de volumoso com maiores teores de umidade (em torno de 70%). 

Principais tipos de silagem de milho utilizadas no Brasil 

Princípios básicos para a produção de silagem 

Para que a técnica de ensilagem se torne eficiente, é preciso seguir alguns princípios básicos, pois o entendimento dos eventos que ocorrem durante o processo de ensilagem é essencial para a obtenção de volumosos con­servados de alta qualidade. 

1. Escolha do híbrido e manejo da lavoura 

Um dos principais fatores que vai determinar o sucesso na produção de silagem de qualidade, se diz respeito a escolha do híbrido, que deve ofertar algumas vantagens agronômicas e bromatológicas. 

 Como exemplo podemos citar alguns caracteres como: produtividade de matéria seca por hectare, sanidade, precocidade, componentes bromatológicos como digestibilidade de planta inteira, fibra e grãos, teor de amido, NDT, etc, sempre associando uma melhor resposta por hectare a uma melhor resposta/animal.  

A Sementes Biomatrix possui híbridos específicos para silagem que possuem as características citadas acima. Confira nosso portfólio aqui

Além disso, você pode ver mais sobre híbridos para silagem este artigo do nosso blog  

De forma geral, o manejo da lavoura de milho para silagem é semelhante ao manejo para produção de grãos.  

Porém, devemos nos atentar que quando se corta uma silagem, exporta-se mais do que grãos, mas também folhas, colmo, palha, ou seja, a planta como um todo, exportando macro e micronutrientes, principalmente o potássio, que deve ser reposto nas quantidades ideais.  

Vale ressaltar que o processo da ensilagem não melhora a qualidade das forragens, apenas conserva a qualidade original que se encontra no momento do corte, ou seja, o valor nutritivo da silagem é semelhante ao da forragem verde.  

Dessa forma, para garantir uma silagem de qualidade, precisamos de uma lavoura de qualidade e que a colheita seja realizada no momento ideal, evitando perdas em qualidade. 

2. Colheita e picagem  

A etapa de colheita é primordial para garantir uma silagem de alta produção de massa e alta qualidade nutricional.  

A observação através da linha de leite ainda é muito utilizada a campo e acertar o ponto de corte do híbrido, no ponto ideal a planta deve ter um teor de matéria seca entre 35% a 40%. Este tem se mostrado o ponto adequado para maximizar os resultados agronômicos com ganhos na produção de leite e carne¹.  

Outro cuidado que deve ser tomado é referente ao tamanho médio das partículas. Um teste prático de picagem utilizando peneiras do tipo “Penn State”, é muito útil para ajustar o tamanho de partículas no momento da colheita.  

Partículas muito pequenas (menores que 1,18mm) interferem na atividade do rúmen. Já partículas muito grandes (acima de 19mm) dificultam o processo de compactação do silo, quebra dos grãos, ingestão de amido pelo animal com significante presença de grãos nas fezes.  

Existe também a técnica do KPS (Kernel Processing Score) para avaliar o processamento da fração grãos na silagem. Pela figura abaixo podemos observar o efeito da quebra dos grãos em relação a porcentagem da sua digestibilidade. 

 Porcentagem da digestibilidade in situ da matéria seca em relação a quebra dos grãos de milho

3. Ensilagem e o processo fermentativo 

processo da ensilagem básico consiste em abaixar o pH da forragem, de 6,5 para menos de 4,0, através da conversão de açúcares a ácidos, principalmente ácido láctico, através do desenvolvimento das bactérias lácticas.  

Podemos separar o processo fermentativo em fases, conforme será listado abaixo. Pela figura abaixo temos o gráfico da relação dos níveis de oxigênio, pH e bactérias em relação a cada fase. 

Fases do processo fermentativo da silagem 
Fonte: Adaptado de Weinberg e Muck (1996) 

Fase de atividade enzimática após o corte e picagem

As células vegetais continuam o processo de respiração após o corte, com degradação oxidativa de compostos orgânicos, principalmente açúcares, para produção de energia para o crescimento celular.  

A picagem da forragem promove o rompimento das células da planta, liberando enzimas, como amilase e hemicelulase, que degradam amido e hemicelulose, aumentando a concentração de açúcar no material ensilado. 

Fase aeróbia

A respiração das células e a proteólise continuam após a forragem ser compactada no silo, ou seja, enquanto houver presença de oxigênio e pH elevado. 

Nessas condições, haverá o desenvolvimento de bactérias aeróbias e microrganismos aeróbios facultativos (leveduras, mofos e certas bactérias), que contribuem para a perda de açúcares e redução do valor energético da forragem. Se a fase aeróbia for prolongada, haverá aquecimento excessivo da silagem, predispondo a silagem de ser pouco estável após a abertura.  

Fase anaeróbia ou de fermentação

Nesta fase inicia-se a multiplicação dos microrganismos anaeróbios (multiplicam na ausência de oxigênio), sendo que os mais relevantes ao processo de ensilagem são as bactérias homoláticas (produtoras de ácido láctico). 

Essas bactérias provocam o rápido abaixamento do pH para estabilização da silagem e inibe o desenvolvimento de enterobactérias, leveduras e clostrídios, o que evita perdas de matéria seca e redução da palatabilidade das silagens.  

Logo, para rápida estabilização da silagem, menor produção de efluentes, além de rápida exclusão do oxigênio da massa ensilada (pelo rápido enchimento do silo e intensa compactação da forragem) é importante que as forragens sejam ensiladas com teor de matéria seca acima de 30%. 

Fase de estabilização

O material ensilado entra na fase estável após o abaixamento do pH causado pelo desenvolvimento das bactérias lácticas durante a fase anaeróbia, podendo ocorrer uma lenta degradação da hemicelulose e liberação de açúcares, com pequena atividade biológica se o silo for corretamente vedado. Se houver penetração de oxigênio, haverá condição de desenvolvimento de leveduras e mofos, com perda de matéria seca e deterioração da silagem.  

Em relação a intensidade com que a forragem resiste à mudança de pH durante a ensilagem (poder tampão), quanto maior o poder tampão maior será a quantidade de ácido necessária para reduzir o pH da silagem e mais longo será o processo fermentativo, maior o consumo de carboidratos solúveis e maiores serão as perdas.  

4. Compactação e vedação do silo 

A compactação da silagem deve ser bem-feita de forma a eliminar as camadas de ar que ficam na parte porosa da massa verde depositada no silo.  

Uma silagem bem compactada deve atender uma densidade de 700 a 750 kg de matéria verde/m³. As passadas do trator devem ser de forma regular e uniforme, com peso do trator referente a 40% do peso da forragem transportada/hora e espessura da camada adicionada de 15 a 30 cm/carga. 

Quanto aos tipos de silos, existem vários formatos, tamanhos, materiais que podem ser utilizados para armazenar a silagem, como silo de superfície, silo-bolsa ou bag, silo de fossa, silo-fardo ou bola, silo bunker, silo em sacos, tambores, etc., sendo o mais comum o silo trincheira, com as vantagens de facilidade de enchimento, menores perdas e bom custo/benefício.  

A vedação do silo é a etapa final do processo de preparação da silagem. A falta de cuidados nessas etapas pode colocar em risco todos os benefícios alcançados durante o processo de colheita e compactação do silo.  

A vedação rápida e completa é um ponto importante para se ter silagem de boa qualidade. Problemas com a entrada de ar e água são os principais responsáveis pela perda de qualidade durante esta etapa.  

Veja mais sobre a compactação e fechamento do silo neste episódio do BM Web: 

5. Abertura e retirada da silagem 

Com a abertura do silo e início da retirada da silagem, o processo não pode ser interrompido, pois o ambiente anaeróbico responsável pela conservação da silagem passa a ser aeróbico, dando início ao processo de deterioração da silagem.  

Esse fenômeno se manifesta através da elevação acentuada de temperatura e do aparecimento de fungos.   

A retirada da silagem deve ser efetuada manualmente (com garfos) ou com máquinas específicas, com a retirada de camadas paralelas de toda a superfície frontal do silo (painel), nunca inferior a 15 cm por dia.  

As sobras de silagem no cocho, ou na carreta após o fornecimento aos animais, devem ser eliminadas. Assim, é importante retirar do silo apenas o que será fornecido e de uma só vez aos animais, sem deixar sobras. 

Veja mais sobre isso neste episódio do BM Web: 

Conclusão  

Para fazer silagens de boa qualidade, práticas com base nos princípios básicos de produção de silagem devem ser adotadas de maneira integrada, de vital importância para a preservação da forragem e viabilidade econômica do processo produtivo. 

Com a estratégia de aumentar a oferta de silagem de alta qualidade nas dietas, é possível obter reduções consideráveis de concentrados, diminuindo custos e aumentando o desempenho animal. 

Bibliografia 

*Colaboração de Carlos Henrique Pereira. Engenheiro agrônomo (UFLA), mestre e doutor em Genética e Melhoramento de Plantas (UFLA), consultor de desenvolvimento de mercado da Biomatrix. 

¹Nussio, L. G., Simas, J. E. C., & Lima, M. L. M. (2001). Determinação do ponto de maturidade ideal para colheita do milho para silagem. Milho para a silagem. Piracicaba: FEALQ, 11-26. 

Wilkinson, J. M., & Rinne, M. (2018). Highlights of progress in silage conservation and future perspectives. Grass and Forage Science73(1), 40-52. 

E você, como faz a sua silagem? Tem mais dúvidas? Deixe seu comentário abaixo! 

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