Início Manejo Fitossanitário Capim-colchão: como controlar e identificar na sua lavoura

Capim-colchão: como controlar e identificar na sua lavoura

O capim-colchão pertence ao gênero Digitaria, o qual inclui cerca de 300 espécies de plantas ao redor do mundo, principalmente em regiões tropicais e subtropicais.  

O Brasil é o país com maior número de espécies no continente, com destaque para aquelas consideras planta daninhas.  

Essas plantas afetam mais de 30 culturas de grande importância econômica no Brasil. Sua infestação tem aumentado em áreas agrícolas, se tornando uma das principais plantas daninhas do Brasil, com destaque para a cultura do milho. 

Veja como identificar essa planta daninha em sua área e como fazer seu manejo efetivo a seguir! 

O complexo Digitaria spp. 

Dentre as plantas daninhas de maior importância agrícola podemos citar o capim-colchão, também sendo chamado como complexo Digitaria spp., pois incluem espécies morfologicamente semelhantes como Digitaria ciliarisD. horizontalisD. nuda e D. sanguinalis, e, o capim-amargoso (Digitaria insularis) (Figura 1).  

Entretanto, capim-amargoso, embora do mesmo gênero que o capim-colchão, apresenta características morfológicas bem distintas. 

Fotos do complexo Digitaria spp. de importância agrícola demonstrando as semelhanças entre as espécies de capim-colchão e a diferença com o capim-amargoso  

As espécies conhecidas como capim-colhão são plantas daninhas de ciclo anual, muito prolíferas e eficientes na competição.  

Além disso, apresentam rápido crescimento e desenvolvimento inicial, alta produção e facilidade na dispersão de sementes e quando adultas formam touceiras que podem dificultar o seu controle.  

Vale destacar que há casos de resistência relacionados a herbicidas graminicidas inibidores da ACCase (haloxyfop e fluazifop) para o capim-colchão e capim-amargoso, além de apresentar casos de resistência ao herbicida glifosato (HEAP, 2021). 

Como identificar capim-colchão 

Como já citado anteriormente, as espécies de Digitaria são semelhantes na morfologia, logo, difíceis de serem diferenciadas no campo, necessitando de uma lupa para distingui-las. Uma das principais características é análise da espigueta e devemos nos atentar a: 

1: Forma de inserção;  

2: Formato;  

3: Característica da gluma e do lema; 

4: Pilosidade; 

5: Entre outras. 

Esquema das estruturas morfológicas da inflorescência de Digitaria spp

Fonte: Adaptado de Dias et al. (2009) 

Devido à dificuldade em identificar as espécies de capim-colchão, alguns pesquisadores têm criado chaves de identificação, tabelas e/ou esquemas que possam favorecer o produtor nesse processo.  

A seguir, apresentamos um exemplo de chave de identificação de algumas espécies de capim-colchão, adaptado de Canto-Dorow (2006) e Dias et al. (2009). 

Chave de identificação das espécies de Digitaria, adaptado de Canto-Dorow (2006) e Dias et al. (2009) 

1. Presença de tricomas na ráquis ………………………………………….. 2 

   1’. Ausência de tricomas na ráquis …………………………………….. 3 

2. Gluma I ausente; tricomas ultrapassando o ápice do lema I ………..Digitaria nuda 

(b) espigueta, vista dorsal, sem gluma inferior; 

(c) espigueta, vista ventral, com gluma superior. 

(A) espigueta, vista dorsal, com gluma inferior na base; 

(B) espigueta, vista ventral, com gluma superior. 

3. Nervuras lisas no lema I, gluma II ½ a ¾ do comprimento do lema II; lígula de 1,5-3 mm de comprimento ………………………..Digitaria ciliaris   

(A) espigueta, vista dorsal, com gluma inferior na base; 

(B) espigueta, vista ventral, com gluma superior. 

   3’. Nervuras escabrosas no lema I, gluma II até ½ do comprimento do lema II; lígula 0,5-1 mm de comprimento………………..Digitaria sanguinalis 

(A) espigueta, vista dorsal, com gluma inferior na base; 

(B) espigueta, vista ventral, com gluma superior. 

Em seguida, serão apresentadas em esquema essas diferenças entre as espécies. 

Fonte: Esalq 

Controle de capim-colchão no milho 

Dado o grande potencial de perdas produtivas no milho, devido a competição com o capim-colchão, se não manejado de forma correta, é extremamente necessário implementar estratégias para o controle dessa planta daninha nas lavouras.  

Assim, para a realização do controle químico é necessário destacar algumas considerações como o conhecimento da seletividade do herbicida para a cultura e a eficiência no controle dessas espécies.  

Além disso, a entressafra, com certeza, é o período ideal para realizar um bom manejo do capim-colchão, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas e o ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso são maiores. 

Herbicidas de pós-emergência 

São aplicados após a emergência das plantas daninhas e da cultura, devendo-se evitar a aplicação em condições de estresse da planta, para assegurar plena seletividade. Nesta classe incluem-se os: 

  • Inibidores da enzima ALS: foramsulfuron + iodosulfuron e nicosulfuron; 
  • Inibidores da síntese de carotenoides: mesotriona e tembotriona;  
  • Inibidor da EPSPs: glifosato usado na dessecação para a implantação da cultura e/ou em pós-emergência de cultivares tolerantes ao glifosato. 

Herbicidas de pré-emergência 

São aplicados antes da emergência da cultura e das plantas daninhas. Nesta classe incluem-se os: 

  • Inibidores da divisão celular: alachlor e S-metolachlor; 
  • Inibidores do fotossistema II: atrazina + simazina;  
  • Inibidores da divisão celular e inibidores do fotossistema II: atrazina + S-metolachlor. 

Vale destacar que, o manejo do capim-colchão deve ocorrer dentro de todo o ano agrícola.  

Assim, nas culturas que antecedem a semeadura do milho, o produtor deve-se atentar e realizar todo o manejo para que a pressão do número de plantas seja o menor possível. 

Além disso, a dessecação pré-plantio é fundamental para que o milho consiga atingir um rápido e eficiente crescimento/desenvolvimento inicial garantindo o menor período de interferência dessa planta daninha.  

Dentre os principais herbicidas, podemos destacar o glifosato que pode ser associado com graminicidas (cletodim e haloxyfop) e glufosinato de amônio.  

As espécies de capim-colchão quando não manejadas de forma correta podem formar touceiras e dificultar o seu controle. Em muitos casos é necessária uma aplicação em mistura do glifosato + graminicida, e se ainda persistir fazer uma sequencial.  

É importante que a recomendação e orientação técnica de produtos fitossanitários seja realizada por um agrônomo e devemos estar sempre atentos a novas informações e tecnologias para auxiliar na recomendação. 

Conclusão 

O capim-colchão é umas das principais plantas daninhas encontradas em lavouras de milho, com grande potencial na redução da produtividade.  

Assim, é de extrema importância realizarmos o seu controle e para isso, é necessário o planejamento do ano agrícola e o posicionamento correto dos herbicidas para cada situação.   

Referências Bibliográficas 

*Colaboração: Roque de Carvalho Dias, Coordenador de Serviços Técnicos (CST), Helix Sementes. Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Mestre em Agronomia (Proteção de Plantas) na área de Matologia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP/FCA).

CANTO-DOROW, T.S. Digitarias do grupo “capim colchão ou milhã” ocorrentes no Brasil. Disponível em: http://www.hracbr.com.br. Acesso em: 27 de nov. 2021. 

DIAS, N.M.P.; CHRISTOFFOLETI, P.J.; TORNISIELO, V.L. Identificação taxonômica de espécies de capim-colchão infestantes da cultura da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo e eficácia de herbicidas no controle de Digitaria nudaBragantia, v. 64, n. 3, p. 389-396, 2005. 

DIAS, A.C.R.; NICOLAI, M.; CHRISTOFFOLETI, P. Identificação e controle de espécies de capim-colchão. Piracicaba: Edição dos autores, 2009. 68p. 

HEAP, I. The international Survey of Herbicide Resistant Weeds. Disponível em: <http://www.wedscience.org>. Acesso em: 28 de nov. 2021. 

KISSMANN, K.G. Plantas infestantes e nocivas – Tomo I: Plantas inferiores e monocoledôneas. São Bernardo do Campo: Editora BASF, 1997. 824 p. 

KISSMANN, K.G.; GROTH, D. Plantas infestantes e nocivas. 2 ed. Basf, São Paulo. Tomo II, 978 p., 1999. 

LO MEDICO, J.M.; TOSTO, D.S; RUA; G.H; RÚGOLO DE AGRASAR, Z.E.; SCATAGLINI, M.A; VEGA, A.S. Phylogeny of Digitaria Sections Trichachne and Trichophorae (Poaceae, Panicoideae, Paniceae): A Morphological and Molecular Analysis. New Circumscription and Synopsis. Systematic Botany, v. 42, n. 1, p. 37-53, 2017. 

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