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Manejo Integrado de Pragas: esclareça suas dúvidas e conheça os benefícios

Manejo Integrado de Pragas: Conceitos, como implantar plano de MIP na sua área, métodos de controle utilizados e mais! 

Entra ano, sai ano e as reclamações dos produtores quanto ao ataque de pragas em suas lavouras continua a mesma.  

Até porque os prejuízos que esses ataques provocam são cada vez maiores e mais intensos. Técnicas e ferramentas que minimizem esses impactos negativos são cada vez mais importantes e necessárias para aumentar a produção agrícola. 

Uma das principais ferramentas utilizadas neste contexto é o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Esta técnica   utilizada da forma correta traz enormes benefícios aumentando consideravelmente a produtividade, reduzindo as perdas e os impactos ambientais. 

 Mas afinal o que é o MIP? Quais seus fundamentos? Como implementar o MIP? Resumimos tudo isso e muito mais aqui nesse artigo para você ficar por dentro dessa ferramenta, utilizar na sua lavoura e aumentar sua produtividade. Confira! 

O que é o Manejo Integrado de Pragas? 

 O Manejo Integrado de Pragas é uma estratégia baseada em uma integração de diferentes medidas de controle que são associadas a dinâmica populacional das pragas, levando-se em conta critérios econômicos, ecológicos e sociais. 

Essas informações são usadas para monitorar os ataques causados por esses organismos a fim de que não causem danos econômicos ao produtor, permitindo aumentar produtividade e melhorar a qualidade da lavoura. 

Ficou na dúvida do que é Dano Econômico? Então fique atento a essas e outras definições para não se embaraçar: 

Dano Econômico 

É a quantidade mínima de injúria que justifica a aplicação de determinada tática de manejo. 

Nível de Dano Econômico (NDE) 

É a menor densidade populacional da praga que causa dano econômico, prejuízo igual ou superior ao custo do controle desta praga. 

Nível de Controle (NC) 

É o momento certo para adoção de uma estratégia de controle para impedir que o NDE seja alcançado. 

Nível de Equilíbrio (NE) 

É um nível aceitável de praga na área, onde os danos causados por eles na cultura são menores que os custos de controle.  

Baseado em Embrapa

Tendo em mente o que é o MIP, vamos aprofundar nos seus conceitos e estrutura:  

Conceitos e estrutura do Manejo Integrado de Pragas 

Quando se fala da estrutura do MIP uma analogia muito utilizada são as bases e pilares da construção de uma casa.  

Baseado em Embrapa

A base do MIP é formada primeiramente pelo reconhecimento de qual praga está afetando a lavoura. Assim, pelos conhecimentos de informações taxonômicas da espécie, sua biologia e ecologia, é possível avançar para as próximas etapas do MIP. 

A segunda base, de extrema importância, é justamente o monitoramento com a realização de amostragens e identificação das pragas e inimigos naturais, no qual a primeira base de taxonomia, biologia e ecologia é fundamental. 

Aliado a isso, é necessário o conhecimento sobre o nível de controle das pragas (ou seja, se o número de pragas na lavoura já está causando prejuízos ou não). E por fim, o manejo do agroecossistema, visando sempre preservar condições ambientais favoráveis ao equilíbrio ecológico. 

 Os pilares do MIP são formados pelos tipos de controle que podem ser utilizados quando as pragas atingem o NC, como o controle cultural, controle biológico, controle comportamental, controle genético, controle varietal e controle químico. 

Como implantar um plano de Manejo Integrado de Pragas na sua área 

 O MIP não é um método único de controle de pragas, mas sim uma série de avaliações, decisões e controles no manejo de pragas. Na prática, os produtores que estão cientes do potencial de infestação de pragas seguem uma abordagem que podemos dividir em quatro níveis, conforme falaremos a seguir: 

1. Defina os limites de ação de controle de pragas no MIP

Antes de tomar qualquer ação de controle de pragas, o MIP define primeiro um limite de ação, um ponto no qual as populações de pragas ou as condições ambientais indicam que uma ação de controle de pragas deve ser realizada. Ele normalmente é chamado de “nível de controle” dentro do MIP.  

Aqui é importante frisar que avistar uma única praga nem sempre significa que o controle é necessário. O nível em que as pragas se tornarão uma ameaça econômica é crítico para orientar as futuras tomadas de decisão. 

Veja abaixo as principais pragas do milho e seu nível de controle (ou nível de ação): 

2. Identifique e faça o monitoramento

Nem todos os insetos, ervas daninhas e outros organismos vivos requerem controle. Muitos organismos são inofensivos e alguns podem ser benéficos. Os programas de MIP trabalham para monitorar as pragas e identificá-las com precisão, para que as decisões de controle apropriadas possam ser feitas em conjunto com os limites de ação.

Este monitoramento e identificação reduz a possibilidade de que inseticidas sejam usados quando não são realmente necessários ou de que o tipo errado de inseticida seja usado, evitando assim selecionar pragas resistentes que podem vir a ser um problema futuro.

Desta forma, a identificação das principais pragas da cultura, como as pragas iniciais do milho, é de fundamental importância.

Sendo assim, é crucial que os responsáveis por esta tarefa conheçam e saibam identificar corretamente as principais pragas no cultivo. Além disso, para que o MIP seja realmente eficiente é importante que o monitoramento seja realizado periodicamente desde a instalação da cultura até a colheita.

3. Faça a prevenção

Como primeira linha de combate no controle de pragas, os programas de MIP visam monitorar os campos de plantio para evitar que as pragas se tornem uma ameaça.

Em uma cultura agrícola como o milho, isso pode significar o uso de métodos de controle culturais:

  • Manutenção de áreas de refúgio para plantas com tecnologia Bt;
  • Fazer a rotação de culturas, especialmente alternando gramíneas e leguminosas;
  • Escolha da época de plantio e colheita que minimizem prejuízos por pragas;
  • Destruição de restos de cultura anterior, impedindo que os insetos continuem na área;
  • Controle de plantas daninhas, inclusive na entressafra;
  • Plantio direto e outros sistemas de cultivo.

Esses métodos de controle podem ser muito eficazes e econômicos, apresentando pouco ou nenhum risco para as pessoas ou o meio ambiente.

4. Controle as pragas seguindo o MIP 

No Manejo Integrado de Pragas consideramos diferentes métodos de controle: 

Controle varietal 

Aqui utilizamos variedades ou híbridos transgênicos que expressam proteínas inseticidas (Bt) para o manejo da praga. A Sementes Biomatrix, por exemplo, possui vários híbridos com essa tecnologia. 

Essa tecnologia Bt é extremamente importante para a implantação do manejo integrado de pragas nas culturas de soja, milho, algodão e cana. No entanto, lembre-se da área de refúgio e integração com outros métodos para garantir sua longevidade e eficácia. 

Controle comportamental 

Neste método utilizamos os sinais químicos entre os seres vivos para fazer o controle das pragas. Poranto, fazemos uso de feromônios, plantas repelentes, armadilhas e semioquímicos.  

Como um exemplo, existe no mercado armadilhas com feromônios que atraem os machos, realizando sua coleta e impedindo seu encontro com fêmeas, o que interrompe o acasalamento. 

Controle genético 

Nesse método controlamos a praga pela manipulação de seu genoma. Essa tática é seletiva e reduz a população por meio da redução de sua reprodução. Ainda pouco utilizado no meio agrícola, um bom exemplo é o caso do mosquito da dengue em machos estéreis são liberados no ambiente. 

Controle biológico de pragas 

É o método que controle insetos usando outros organismos, como a vespa parasitóide Cotesia spp. Que parasita lagartas, os fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana que são patógenos para um grande número de insetos e outros tantos organismos que vem sendo cada vez mais utilizados. 

Controle químico (uso de inseticidas) 

Quando falamos em controle químico a pergunta é sempre a mesma: 

Pode utilizar controle químico no MIP? 

Sim, o controle químico (uso de inseticidas) é um dos métodos de controle que pode ser utilizado, porém precisamos considerar todas as opções de controle, como o biológico e o cultural.  

Dessa maneira, uma vez que o monitoramento indica que a praga atingiu o NC, faz-se necessário o controle propriamente dito, visto que os métodos preventivos não são mais eficazes.  

Os programas de MIP avaliam o método de controle adequado tanto em relação a eficácia do produto a praga alvo, quanto ao risco a inimigos naturais e aplicadores.  

Controles de pragas eficazes e menos arriscados são escolhidos primeiro. Se o monitoramento, que deve ser contínuo, indicar que os controles menos arriscados não estão funcionando, métodos adicionais de controle de pragas são empregados, como a pulverização de inseticidas seletivos. 

Além do uso de produtos químicos seletivos, recomenda-se que o agricultor realize sempre a rotação de agroquímicos pertencentes a diferentes grupos de ingredientes ativos, para evitar problemas associados a resistência de pragas. 

Aqui também entra o uso de tratamento de sementes, que é crucial para o bom estabelecimento da lavoura de milho em áreas mais infestados com pragas. 

Veja mais sobre o manejo de pragas no milho e sorgo nos nossos artigos:

Vantagens e benefícios do Manejo Integrado de Pragas  

Ao considerar todos os pilares e bases do MIP, conseguimos levar em consideração o agroecossitema como um todo, aumentando a sustentabilidade e, consequentemente, longevidade do ambiente e da produção.  

Além disso, as técnicas de Manejo Integrado de Pragas, em geral, são mais econômicas e ajudam na melhoria do ambiente de produção. Integrando as diferentes táticas de controle e considerando 

Isso porque, esse tipo de manejo tem como objetivo manter a lavoura o mais próximo possível do nível de equilíbrio. Isso resulta em mais controle natural de pragas, levando a menor utilização de inseticidas. 

Com a menor utilização de inseticidas, há menor custo de produção e redução nos casos de resistência de pragas a esses produtos. Isso tudo acarreta melhores rentabilidades

Conclusão 

 O MIP é um sistema integrado que visa manter as populações de pragas em equilíbrio utilizando diferentes estratégias de controle. Com isso, há redução de custos e aumento de produtividade com práticas de fácil execução, mas que demandam conhecimento do sistema de cultivo e organização.  

 O sucesso do MIP exige dedicação e presença constante na lavoura para quantificar a ocorrência das pragas. A mão de obra treinada no campo para realizar de forma adequada os monitoramentos é um dos principais problemas enfrentados. 

Nesse manejo, ações preventivas devem ser adotadas e pulverizações calendarizadas devem ser evitadas, pois, nem sempre na data estabelecida faz-se necessário o tratamento. 

Não ache que o MIP é a não utilização de inseticidas químicos. Porém, estes devem ser utilizados quando os métodos preventivos e métodos de controle menos arriscados não mostrarem eficácia. 

Esperamos que tenham aproveitado e, a partir de agora, coloquem o MIP em prática na sua propriedade!

Bibliografia

EPA – United States Environmental Protection Agency. Integrated Pest Management (IPM) Principles. 2020. Disponível em: https://www.epa.gov/safepestcontrol/integrated-pest-management-ipm-principles 

FAO – Food and Agriculture Organization. 2020. Integrated Pest Management. Disponível em: http://www.fao.org/agriculture/crops/thematic-sitemap/theme/pests/ipm/en/ 

PICANÇO, M.C. Manejo Integrado de Pragas. Universidade Federal de Viçosa, 2010. 

VALICENTE, F.H. Manejo Integrado de Pragas na Cultura do Milho. Circular Técnica 208, EMBRAPA Milho e Sorgo, 2015. 

WAQUIL, J.M., VIANA, P.A., CRUZ, I. Cultivo de milho: Manejo Integrado de Pragas (MIP). Comunicado Técnico 50, EMBRAPA, 2002. 

*Colaboração de Hígor de Souza Rodrigues, Consultor de Desenvolvimento de Mercado, Helix Sementes, M.Sc., Entomologia – Universidade Federal de Viçosa, B.Sc., Agronomia – Universidade Federal do Espírito Santo. 

Você conhecia todas essas informações sobre o Manejo Integrado de Pragas (MIP)? Ficou alguma dúvida ou tem sugestões? Deixe seu comentário abaixo!

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