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Manejo das Principais Plantas Daninhas no Milho, Suas Consequências Para a Cultura e Como Realizar Seus Manejos

Como identificar e manejar as principais plantas daninhas no milho: estratégias para proteger sua lavoura, evitar resistência e garantir altas produtividades.

A presença de plantas daninhas é um dos principais fatores de redução da produtividade na cultura do milho (Zea mays L.). Entre as espécies mais problemáticas destacam-se o pé-de-galinha (Eleusine indica), o capim-amargoso (Digitaria insularis) e a buva (Conyza spp.). Essas plantas apresentam elevada agressividade, capacidade de competição por luz, água e nutrientes, além de casos crescentes de resistência a herbicidas.

O milho é uma das principais culturas agrícolas do Brasil e do mundo, sua produtividade é altamente influenciada pelo manejo de plantas daninhas, especialmente durante o período crítico de prevenção da interferência (PCPI), que ocorre até aproximadamente 45 dias após a emergência da cultura, momento em que a planta está definindo seu potencial produtivo.

Figura 1. Períodos de convivência de plantas daninhas na cultura do milho em relação à produtividade.

*PAI: Período antes da interferência; PCPI: Período crítico de prevenção da interferência; PTPI: Período Total de Prevenção à Interferência.

Portanto, o manejo adequado das plantas infestantes na cultura do milho é fundamental para garantir o pleno desenvolvimento da lavoura e altas produtividades. Para isso, é essencial a adoção de estratégias integradas de controle, que envolvam a dessecação pré-plantio, bem como a aplicação criteriosa de herbicidas nas fases de pré e pós-emergência.

Essas aplicações devem ser realizadas no momento certo, utilizando moléculas com eficácia comprovada sobre as principais espécies daninhas presentes na área.

Assim, é essencial conhecer as principais espécies infestantes que ocorrem na cultura do milho, uma vez que a identificação correta dessas plantas é determinante para a escolha das melhores estratégias de controle. A seguir, serão apresentadas as principais plantas daninhas que afetam essa cultura, bem como suas características e os desafios que representam para o manejo.

  1. Caracterização das Espécies
  1.  Pé-de-galinha (Eleusine indica)

                •             Planta anual, de reprodução exclusivamente por sementes.

                •             Possui crescimento rápido e alta produção de sementes viáveis.

                •             Competitiva por nutrientes, principalmente nitrogênio.

                •             Relatos de resistência a inibidores da ACCase e ao glifosato.

2.2 Capim-amargoso (Digitaria insularis)

                •             Gramínea perene, com propagação por sementes e rizomas.

                •             Dificuldade de controle após estabelecimento devido à regeneração rizomática.

                •             Resistente ao glifosato em diversas regiões brasileiras.

                •             Pode formar touceiras de difícil erradicação mecânica e química.

2.3 Buva (Conyza spp.)

                •             Planta anual, de emergência escalonada ao longo do ciclo da cultura.

                •             Alta produção de sementes pequenas e facilmente dispersas pelo vento.

                •             Competição intensa por luz e água no início do ciclo do milho.

                •             Resistência múltipla a herbicidas, incluindo inibidores da EPSPs (glifosato) e ALS.

2. Consequências da competição de plantas infestantes na Cultura do Milho

                A presença de plantas daninhas na cultura do milho, quando não controlada de forma eficiente, pode acarretar sérias consequências agronômicas e econômicas. Um dos impactos mais expressivos é a redução da produtividade. Infestações elevadas, especialmente durante os períodos críticos de competição por luz, água e nutrientes, podem resultar em perdas de rendimento que variam de 30% a até 80%, dependendo da intensidade da infestação, do estádio de desenvolvimento das plantas daninhas e da duração da competição com a cultura.

Além disso, a infestação compromete diretamente os custos de produção, uma vez que exige intervenções adicionais, como aplicações extras de herbicidas, uso de misturas em tanque e, em alguns casos, o emprego de operações mecânicas para controlar reboleiras resistentes ou de difícil controle. Tais medidas não apenas aumentam os gastos com insumos e mão de obra, como também podem afetar a eficiência operacional da lavoura.

Outro aspecto relevante diz respeito à interferência na colheita. A presença de espécies daninhas perenes, de grande porte ou com estruturas rígidas, como capim-amargoso (Digitaria insularis) ou buva (Conyza spp.), pode dificultar o avanço das colhedoras, gerar perdas de grãos e até causar danos aos equipamentos, além se servir como hospedeiro alternativo de pragas, doenças e nematoides.

3. Estratégias de Manejo Integrado

3.1.  Controle Cultural

                   •             Cobertura do solo com plantas de cobertura (ex.: braquiária, crotalária),    reduzindo a emergência de plântulas deplantas daninhas.

                •             Adoção de populações e espaçamentos adequados para o fechamento mais rápido do dossel da cultura do milho, promovendo maior sombreamento do solo. Esse sombreamento limita a germinação e o desenvolvimento de plantas infestantes, que geralmente dependem de luz direta para emergir e crescer vigorosamente, dificultando o estabelecimento e a sobrevivência das plantas daninhas. Essa estratégia pode reduzir a pressão de infestação, diminuir a necessidade de intervenções químicas.

3.2. Controle Mecânico

                •             Embora frequentemente menos utilizado em sistemas agrícolas intensivos, é uma ferramenta importante dentro do manejo integrado, especialmente em estágios iniciais do preparo do solo. Entre as práticas mecânicas mais utilizadas, destacam-se as gradagens e roçadas localizadas, realizadas antes da semeadura. Essas ações são eficazes na redução da população inicial de espécies de difícil controle, como o capim-amargoso (Digitaria insularis) e o pé-de-galinha (Eleusine indica), especialmente quando essas plantas já se encontram em estágio avançado de desenvolvimento, desestabilizando o sistema radicular das daninhas, expondo suas raízes e partes vegetativas ao sol e redução significativa da biomassa de touceiras antes da aplicação de herbicidas, melhorando sua eficiência.

Embora as práticas mecânicas possam ser eficazes no controle de plantas daninhas em estágio inicial, sua aplicação deve ser feita com cautela, especialmente no caso de espécies como a buva (Conyza spp.). Essa planta possui uma estrutura radicular profunda e alta capacidade de rebrote, o que pode ser favorecido por operações de preparo de solo mal conduzidas. A gradagem, por exemplo, pode não eliminar completamente a planta e, em vez disso, fragmentar e redistribuir partes da raiz ou da coroa, estimulando a rebrota em diversos pontos da área. Portanto, em áreas com histórico de infestação por buva, é recomendável limitar o revolvimento do solo e priorizar práticas como o cultivo mínimo ou o plantio direto, associadas à dessecação química bem programada, preferencialmente com herbicidas sistêmicos aplicados em estágios precoces de desenvolvimento da planta.

                •             O cultivo mínimo e direto, que visa o menor revolvimento do solo, diminui o banco de sementes de plantas daninhas, a médio e longo prazo. Ao evitar a mobilização excessiva do solo, essas práticas dificultam o resgate de sementes que se encontram em camadas mais profundas, limitando sua germinação. Além de favorecer a preservação da estrutura do solo, melhorar a retenção de umidade e reduzir a erosão, promovendo um ambiente mais estável para a cultura e menos favorável à emergência de novas infestações.

 3.3. Controle Químico

 Controle
Planta InfestanteDessecaçãoPré-emergentePós-emergente
Pé-de-galinha (Eleusine indica)  Gluf. + 2,4D/Diquat/ACCase Glyfosate + 2,4D/ Clethodim  S-metolacloro Atrazina Metribuzin  Atrazina Nicosulfuron Foramsulfuron Tembotrione
Capim-amargoso (Digitaria insularis)Gluf. + 2,4D/Diquat/ACCase Glyfosate + 2,4D/ Clethodim  S-metolacloro Atrazina Isoxaflutole  Nicosulfuron Foramsulfuron Mesotrione + atrazina  
Buva (Conyza spp.)Gluf. + 2,4D/Diquat/ACCase Glyfosate + 2,4D/ Clethodim   Mesotrione + atrazina        Tembotrione + atrazina   Isoxaflutole  S-metolacloro  Atrazina  

A época mais adequada para a aplicação de herbicidas na cultura do milho é até o estádio V6, considerando-se tanto a eficácia do controle quanto a segurança para a cultura. Realizar o manejo das plantas daninhas dentro desse período é fundamental para evitar efeitos fitotóxicos, minimizar perdas de produtividade causadas pela matocompetição, e reduzir o risco de que a planta desvie energia para a metabolização dos herbicidas. Além disso, aplicar os produtos antes do fechamento do dossel evita o chamado “efeito guarda-chuva”, no qual as folhas do milho impedem que o herbicida atinja adequadamente as plantas daninhas, comprometendo sua eficiência.

Figura 2. Épocas de aplicação de herbicidas na cultura do milho.

OBSERVAÇÕES:

  • Misturas com atrazina melhoram o espectro de controle.
  • A cada 100 mL de 2,4D esperar 1 dia para o plantio, dando atenção ao tipo de solo, clima e inertes do produto.
  • Usar surfactante ou sal de amônio quando se mistura Glifosato + 2,4D, pois glifosato diminui o ph da água e precipita o 2,4D.
  • Já há casos de resistência ao glifosato e inibidores de ACCase (como haloxyfop, clethodim), por isso é fundamental rotacionar mecanismos de ação.
  • Plantas perenizadas/touceiras: recomenda-se manejo antecipado na entressafra com glifosato + inibidor de PPO (saflufenacil, flumioxazin) antes do plantio. 
  • Capim-amargoso é resistente ao glifosato em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil. O controle eficaz exige associação de herbicidas residuais + aplicação sequencial em pós-emergência precoce.
  • Para a buva é essencial uma dessecação ainda quando está jovem (<10 cm). A buva é uma das plantas mais difíceis de controlar em pós-emergência. O sucesso está em manejo pré-plantio bem-feito mais uso de residuais.
  • Sempre rotacionar mecanismos de ação para evitar pressão de seleção.
  • Não depender exclusivamente do glifosato.
  1. Considerações Finais

O pé-de-galinha, o capim-amargoso e a buva representam sérios desafios para a cultura do milho devido à elevada capacidade de competição e ao avanço da resistência a herbicidas. A adoção do manejo integrado de plantas daninhas (MIPD), aliando métodos culturais, mecânicos e químicos, é fundamental para reduzir as perdas de produtividade e garantir sustentabilidade ao sistema produtivo. A integração dessas estratégias realizadas no momento certo, permite minimizar a pressão de seleção de biótipos resistentes e otimizar o uso dos insumos agrícolas.

Referencias

*Colaboração de Carolina Oliveira da Silva, Coordenadora de Serviços Técnicos da Sementes Biomatrix nas regiões do Mato Grosso do Sul e Norte de São Paulo, Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutora em produção vegetal pela Universidade Federal de Uberlândia.

GAZZIERO, D. L. P. et al. Período crítico de prevenção à interferência de plantas daninhas na cultura do milho. Planta Daninha, v. 24, n. 3, p. 341-347, 2006.


TAKANO, H. K.; OLIVEIRA JR., R. S. Resistência de plantas daninhas aos herbicidas no

VARGAS, L.; SILVA, A. A. Manejo de plantas daninhas na cultura do milho. In: CRUZ, J. C. (ed.). Cultivo do milho. Embrapa Milho e Sorgo, 2012. p. 93-110.

WOLLMANN, H. A. et al. Emergência e controle de Conyza spp. na cultura do milho. Revista Brasileira de Herbicidas, v. 18, n. 2, p. 1-11, 2019.

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